Sunday, September 24, 2006


(img. Michael Parkes)
The end…
Encerrou um capitulo…. Algumas páginas em branco dividem as histórias. Páginas tristes, desiludidas, vazias… demasiado vazias. Esfolhei pacientemente estes dias brancos riscando alguns traços coloridos por distracção, para não me esquecer que já os passara. E mais uma página, outra página…

E agora cheguei ao novo capitulo. Escrevo com um novo entusiasmo “Era uma vez, riscaram-me na pele para não me esquecer “podes voar para onde quiseres”
, de “olhos cristalinos” preparo-me.

Hoje [vindo de há tantos meses atrás] lembraste-me.

Thursday, September 21, 2006

Outono..e um pouco de Gabriel


img. Gianluca Ciufoli
[No primeiro dia de Outono ouvi no rádio do carro]
"Tás a ver? A linha do horizonte
A levitar, a evitar que o céu se desmonte?
foi seguindo essa linha que notei
que o mar na verdade é uma ponte
atravessei-a e fui a outros litorais
e no começo eu reparei nas diferenças
mas com o tempo eu percebi, e cada vez percebo mais
como as vidas são iguais, muito mais do que se pensa
(...)
mudam os olhos e tudo o que eles olham
mas quando molham, todos olham com o mesmo olhar
(...)
por mais que seja egoista
aprendi a partilhar derrotas e conquistas
nada disso me pertence
é tudo temporário no tapete voador do calendário
há que ter força para somar e dividir
enquanto estivermos aqui,
se me ouvires cantando canta comigo
se me vires chorando, sorri."
[Gabriel, o Pensador e Berna Ceppas, "Tás a Ver?"]

Tuesday, September 19, 2006

. foi em setembro .

[ obrigada ]
img. tipika

Saturday, September 16, 2006



Corar…pois….
por cumplicidade
por algo me agradar
por algo me comprometer
por algo me surpreender
por algo me alegrar
por algo me envergonhar
E…corar apenas por corar!


Não vale a pena decifrar a corzinha que me invade as bochechas, coro apenas por pensar “seria muito constrangedor corar neste momento” e basta…. Cá está o rosto rosadinho que compromete qualquer coisa que diga ou faça, que transmite a mensagem “tu não me és indiferente” mesmo que não seja bem assim!
Corar… pois… um problema…

[e enfim… paguei a meia-de-leite ao rapaz que me atendia no café e saí com um sorriso ainda mais comprometedor por tudo o que pensei que ele pensou]

Wednesday, September 13, 2006

chove.


visto o pijama nublado como o dia lá fora.

vejo chegarem as primeiras chuvas, frescas, saborosas...fazendo chorar os primeiros acordes de outono sobre as janelas...

talvez saia sob a chuva para o conforto de um café, talvez umas e outras calorosas gargalhadas, talvez para não me lembrar do que tento esquecer - até pousar o dia na almofada...talvez.
[img. carmen segovia]

Tuesday, September 12, 2006

back!


Sento-me e é como se me abraçasse todo aquele espaço.
Inspiro. Oiço os acordes familiares que acompanham desde sempre o sabor a café.
“estou de volta.

O sorriso rasgado do costume arrisca o habitual pedido: “um café e um copo de água”…
Eu aceno um sim, sorrindo… e perco-me a pensar: “estou de volta.

Todo o bairro me recebe com um sorriso. No “bom dia” das vizinhas há murmúrios de regresso…”bem-vinda a casa!”… e seguem, sussurrando cusquices, entretidas. Percorro as habituais ruas, deliciada. Tudo na mesma. O mesmo abraço morno do meu bairro feliz. As árvores (tantas!!) já embalam uma leve brisa de Outono, fazendo chover aqui e ali folhas cansadas do calor de verão. As mesmas paredes, fachadas, janelas, vasos, flores… as mesmas caras e cores…


O café vem com um sorriso maior que o mundo. E o meu mundo faz-se feliz naqueles escassos metros quadrados de um café cheio de histórias.
[img. Pep Montserrat]
ps: e é partilhando regressos e mudanças, entre chás, cafés e doces de outras paragens... entre suaves palavras tons de canela e saborosas gargalhadas de menta... entre amigos... que o mundo me abraça e abraço o mundo, talvez já pronta para tão altos desafios.

Sunday, September 10, 2006

sentido soneto.















"De repente, do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente."





[Soneto da Separação, por Vinicius de Moraes
foto by João Varela]

Friday, September 08, 2006

Cá estou



Travamos o carro aqui á porta. Tirei as malas do porta-bagagem e carreguei o pequeno bonsai de retorno a casa.
Olho para as minhas árvores da rua ainda espessas de verde “sim… falta pouco para caírem, o Outono nada nada está chegar”.
Respiro fundo.
As borboletas no estômago dão-me energia para enfrentar esta nova etapa. Estou numa das minhas cidades, na “menina e moça” que daqui a pouco cheira a castanhas e tem brisas de fado. Despeço-me da boleia, atiro as malas para casa “Logo arrumo”.
Corro para ver o azul e pisar as pedras da calçada. “Confirma-se! Tudo como deixei”, visito o café do meu bairro e o sorriso rasgado tão familiar do senhor do balcão dá-me as boas vindas á capital.
Recebo a mensagem
“Rapto imediato”
que me leva a amigos e a novidades.

Cá estou outra vez, com aromas canela, entre ruas protegidas pela ponte vermelha, a escrever o meu enredo na cidade das mil e uma colinas e espelho azul.

Thursday, September 07, 2006

...pues caminando...

se hace el camino...

desligo-me desse mundo

( dolorosa decisão ).
img. agatha katzensprung

WANTED


procuram-se noites tranquilas e sonhos doces...
[ malditas insónias ]
( ... )

img. Penelope Dullaghan

Wednesday, August 30, 2006


(foto by Pepper)

4dias…4 dias para as minhas férias acabarem… 4 dias até o meu Verão ficar em “stand by”!
Sento-me na areia com o sol cansado pelo esforço de aquecer-nos as peles durante tantas horas, pego no caderno quadriculado com toque de pimenta e releio todos os pontos que queria fazer nestes meses solarengos…

Check, check, check faltam poucas coisas a cumprir, nunca é demais algumas morangonas, varandas frescas pelas estrelas, e juntar aqueles amigos que só por estarem por perto me fazem gargalhar! Levanto-me, sacudo a areia… “é hoje o jantar!”

O trio junta-se novamente: pimenta, sal e canela, “vá... bora lá preparar a sangria e assar as chouriças antes que o Outono me invada os dias e vamos rir até as bochechas não aguentarem mais!”

Tuesday, August 29, 2006



"Atreve-te! Pelo menos sabes que estás vivo!"

img.Jennifer Gennari

Tuesday, August 22, 2006

porque:

"Se tanto me dói que as coisas passem
é porque cada instante em mim foi vivo
na busca de um bem definitivo
em que as coisas de amor se eternizassem."

Sophia de Mello Breyner Andresen
img. agatha katzensprung

Monday, August 21, 2006


E como no cinema... com pequenos detalhes tentamos mudar para melhor o destino de quem cruza connosco... consegui hoje!
[ talvez o segredo esteja na covinha =p ]

Sunday, August 20, 2006




[não é preciso apresentações ;)]

Thursday, August 17, 2006




Sabes? Se indicasse aqui a lista de sonhos da minha vida … daqueles sonhos dos mais importantes… indicava quatro.
O primeiro… tu sabes bem qual é, conquistei-o com ajuda de tantas mãos que me sustentaram em céus e nuvens.
Outro mantenho-o junto a mim, realizei-o e guardei-o. Aclara-me o mundo e apaga fantasmas antigos.
O penúltimo decidi realizá-lo há poucos dias… cá arregaço as mangas e avanço. Decidi o caminho, vou percorre-lo, não com o apoio de tantas mãos… percorro com o consentimento de dois pares tão importantes nos meus dias e com o meu sorriso
[o tal sorriso que cresce quando se cai e que cresce quando crescemos…digo, com a minha falta de jeito para provérbios, “há males que vêm por bem” e se o bem não vem logo vou eu buscá-lo pois não há paciência para esperar muito tempo]


“yes...There are still stars and lights in my hair…All painted by kisses, all painted by friends, all painted by memories”

[O ultimo sonho, mais irreal do que qualquer outro, deixo-o em aberto…é sempre bom ter um bem lá no alto para iluminar as nossas escolhas e permitir sonhar sempre… mas cá entre nós… um dia... sim... um dia conto-te ]

(painting "my own best friend")

nublada


[amanheceu solarengo...o dia.
e depressa se acizentou...o céu.]
deito-me sobre os pastos que alguém esqueceu. aconchego o vestido no casaco que o frio me lembrou de trazer. e fito, horas a fio...um céu nublado...
talvez a terra me sussurre um sentido. talvez encontre essa garra que falhou. talvez.
...faz frio...
ainda bem que trouxe o casaco...
quero anotar as mil coisas que não fiz! lançar-me na aventura de as fazer...lembrar-me, entretanto, de mil mais! quero deter-me no saber porque caminho, para que desperto!! quero dançar, dançar, dançar sobre os meus dias...não mais dormir!...
talvez chova...
ainda bem que trouxe o casaco...
quero gritar, sorrir, saltar...não mais parar!!! quero começar.
...ou talvez não chova...
ainda bem que trouxe o casaco...
quero rasgar o céu nublado em mim, fazer o sol brilhar!quero não mais chover!
quero afastar o que é confuso,descansar.
talvez não chova.
quero não mais perder o norte, o sul...o sol. quero não mais perder-me de quem sou.
e no entanto talvez perder-me por ai...(em milhares de novos sitios e lugares)
quero num abraço e noutro e outro (que saudades), saber que sou quem sou, e ser feliz!
img.agatha katzensprung

Wednesday, August 16, 2006



Um cruzar de ruas… cruzar de vidas…
É o mistério da cidade… as teias urbanas de caminhos e opções… emoções
A paragem na montra, o picar do bilhete, o apanhar do saco que escapuliu da mão, os atalhos, os passos lentos, as pressas ritmadas… os encontros e desencontros definem-se, redefinem-se… acreditamos assim nas coincidências… nas trocas de olhares.


[Olá… foi bom rever-te…] não pelas palavras trocadas, não pelo abraço apertado, não pelo olhar preso que procurava as diferenças que os últimos meses actuaram em nós…não por te querer passar em segundos tudo aquilo que vivi entretanto… mas sim por continuares a ser aquele menino que nas tardes de verão me invadia a casa contando historias de terror tão credíveis que nos obrigava a ir para a varanda até o medo passar, que me roubava as tostas com doce enquanto cantávamos as musicas dos anúncios da televisão, que desenhava e sonhava comigo futuros incríveis… e que apesar dos caminhos tão distintos e do tempo implacável continua a ter a mesma aura que eu.
[cheiraste-me a caramelo como as tardes de antigamente… quero outras tantas só para te ouvir as aventuras e contar-te as minhas histórias]

(img. A. dragulescu)

Saturday, August 12, 2006

...não sabemos nada...



"Nunca saberemos se os enganados
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou a nossa vontade
se as cidades mudam de lugar
ou se todas as casas são a mesma.
Nunca saberemos se quem nos espera
é quem nos deve esperar, nem sequer
quem temos de aguardar no meio
de um cais frio. Não sabemos nada.
Avançamos às cegas e duvidamos
se isto que se parece com a alegria
é só o sinal definitivo
de que nos voltámos a enganar."

amalia bautista
em Tres deseos; Renacimiento, Sevilla, 2006
img: carmen segovia

Friday, August 11, 2006

[dia-não]


obrigo-me a adormecer, para que o amanhã chegue...
e para que o tédio dê lugar ao sonho e me lembre de toda a magia que tenho visto...
"tira a mão do queixo, não penses mais nisso...", canta um rasgo de alegria atrevido,escondido entre o dia nublado...
(ecos de um piano, de um album esquecido entre memórias abafadas...)
e durmo...
( img: josh cochran )

Tuesday, August 08, 2006

espantalhos


destinada a sentir saudades onde quer que aterrasse a casa, a menina-coração-de-pimenta fotografava tudo com a maior das precisões. para mais tarde recordar vivamente esses lugares onde se perdera (e mais que tudo, se encontrara...), essas pessoas que deixava longe... e afugentar a solidão que tantas vezes a visitava...
e passava largos dias, entretida, a criar o seu espantalho...
img.: Tinou Le Joly Senoville

laços


olho a tua meninice e sinto o aroma suave que ainda desprendes...o mesmo de quando ainda te conseguia segurar nos meus braços pequeninos e trapalhões...hoje ris por ainda conservar o meu jeito trapalhão...
olho-te no teu corpo de mulher e pensamentos de menina...o tempo parou sobre os teus pensamentos, e avança sobre o teu corpo, transformando-o sem pudor.
o rosto grave e sério, onde por (cada vez mais raras) vezes se rasga um sorriso... o corpo pesado, cansado e triste...

eu escavo!, furo!, rompo!... mas ja não chego a ti.

por isso, quando te olho, mergulho nas memórias de quando, aos seis anos, vi chegar uma "invasora" a casa, com quem tive de dividir tudo...e que pouco-a-pouco me ensinou o valor da partilha...

lembro-me de quando me debruçava no berço e soltavas deliciosas gargalhadas...ou quando atropelavas as primeiras palavras, inventando novos e deslumbrantes alfabetos... e lembro o negro dos teus cabelos revoltos, sobre o teu rosto rosado...suspirando sempre um sopro oriental...

lembro.
choro.
sem que notes. porque perdeste o fulgor das gargalhadas... porque a luz se apagou e porque não consigo desenlear o novelo onde te aninhas, te escondes...
porque os nossos laços não são, hoje, mais do que o vermelho pulsante que corre cá dentro... e as memórias felizes que guardo de ti.
e eu.. que queria explica-te mil coisas... contar-te outras mil... mimar-te, guiar-te, ajudar-te... encolho os ombros porque não me dás alternativa e sigo de longe, sem que saibas, cada passo teu.
img. carmen segovia

Sunday, August 06, 2006



Contavam-lhe histórias de torres altas e dragões… de caixinhas de música, bailarinas, de princesinhas e desfechos perfeitos.
Contavam-lhe histórias de como as coincidências, as escolhas, sentimentos tinham uma ordem mágica que nos indicava o caminho certo.
Contavam-lhe histórias de cenários fascinantes, de rostos deliciosos e de acordes envolventes.

E ao longo dos anos desacreditou… rasgou aos poucos as páginas desses livros e queimou… os enganos diminuíram mas a realidade impôs-se de uma forma demasiado fria.
Até que decidiu fechar os olhos e rabiscar no escuro algumas linhas novas de histórias encantadoras. Rabiscava confiante no apenas “porque sim”, confiante nos novos traços tentadoramente doces.

… intensos rabiscos desentendidos…

(pergunto-te... desenhos sentidos ? ou riscos sem sentido?)

[e desta vez a própria realidade arrancou-lhe as folhas esquiçadas e queimou-as!]

“- Já te disse pequena, essas coisas não existem! Tinha-te como mais esperta!”

Saturday, August 05, 2006

humidade relativa: 87%

terra quente, magmática...tranquila...
fresca, atlântica...festiva...
lugar de sonho, de história, de estórias...
terceira, açores
img. by pepper


verde sobre azul


daqui, onde o céu tem este humor inconstante, que pauta os dias de uma saborosa imprevisibilidade...
daqui, onde o castanho dos meus olhos se fizeram azul-mar...

murmuro um suspiro de férias, respiro fundo e deslumbro-me perante paisagens que emudecem e tornam as palavras pequenas, insuficientes para descrever cada "frame" de verde e azul...
aqui, abraçada pelo atlântico, estou em casa!

e encho as malas de diferentes (e tantos!) tons de azul, do negro das areias sob o mar quente, do verde fresco, das nesgas azuis-céu entre o cinzento-nuvem habitual, do sol que brilha de repente e que convida a um dia de festa!!!... encho o olhar deslumbrado de memórias...e anoto as palavras mais fiéis a todo este espectáculo... para poder partilhá-lo, depois, numa noite morna de café, um pouco mais a sul [recordo a visão salgada, polvilhada de branco, que o meu abrir de asas sobre o céu me ofereceu a caminho daqui...]

... (suspiro e emudeço, tranquila, entretida a organizar a minha nova paleta de tons) ...
img.:mjo

Thursday, July 27, 2006



[Re] delineei caminhos numa cidade distante…
[Re] lembrei cheiros e cores, sons, conversas, bebidas, sabores… [recordei as aventuras loucas de quem não tem medo do instante presente!!]
recordei o gigante neon "SI" da Via Torino que me autorizava a casar com o recém-conhecido de caracóis que teimou com o meu olhar…
recordei o dedilhar das violas na praça a meia luz cheia de malabaristas e jovens perdidos em fumos que davam uma vida agitada e irresistível àquelas colunas de séculos e séculos atrás…
Essa Via que subi e desci tanta vez a qualquer hora do dia e da noite… com aragem outonal ou com a neve de meio metro de altura.

[É com algumas lágrimas marotas que sorriu por ter sido a miúda mais feliz do mundo quando rumei aos meus sonhos não tão impossíveis… agora é esta nostalgia pesada que se transforma a todo o instante na vontade de conquistar mais umas quantas coordenadas do globo… ]

Monday, July 24, 2006



Final da tarde… como adoro esta passagem de humor do dia: mudança da azáfama solarenga para um estado melancólico, como se o próprio dia se interrogasse quantas estrelas lhe vão polvilhar o céu.

A ligeira brisa marítima acalma o tostado da pele que o teimoso sol marcou, caminho por entre o murmurar das ondas que se desfazem na areia. Delineio os meus passos por entre as marcas deixadas pelo sal, seria tão mais fácil se o caminho que optássemos na vida fosse percorrido de forma tão natural como as ondas do mar… [segue o sal… apenas isso]


Espero por aqueles segundos em que o mundo pára... momento em que a onda recolhe como um respirar preso… tudo fica suspenso por dois segundos até o mar sussurrar outra vez. Dois segundos para eu ter a oportunidade de me descobrir outra vez… tempo de relembrar tudo o que senti de um ano até aqui…

… que denso… desfaço nós, lembranças, lágrimas e sorrisos, saudades, beijos, músicas, ilusões [desfaço os tais castelos de areia com breves histórias e semi-reis]… liberto tudo para o meu mar… solta-se o peso do doce e do amargo… vem em troca as gotas frescas da leveza… [guarda-me tudo isto mar…pelo menos por esta noite, venho buscar amanhã as recordações, para esboçar entretanto o que quero para o meu presente]


E a menina canela seguiu com a liberdade de quem nasce outra vez, carregando apenas o segredo de que o mar tem este poder mágico de parar o tempo.



Tuesday, July 18, 2006


img.Tipika
[Não é do mais fascinante que o Homem tenta alcançar? a procura do “incondicional”? Aquele sentimento tão confortante como irreal de “estar aqui para tudo… para sempre”]
Mas é quando te falta aquele chão que achas seguro…
quando vês que o incondicional é uma miragem…
quando sentes que o certo não é bem assim…
ACORDAS
Deixas as réstias de ingenuidade… amadureces.

Lamento…mas há marcas difíceis de contornar.

[Tento não deixar escapar alguns farrapos de esperança, acredito nos outros apoios tão docemente “incondicionais” que se registaram como veteranos nesta minha história semi-escrita com mil sorrisos… estes solidificam]
E para qualquer duvida tua: mesmo que fosses psicopata, dealer, o próximo Arafat… não te atiraria a primeira pedra, nem nenhuma que se seguisse... [dir-te-ia ao ouvido que não estava correcto] e provavelmente proteger-te-ia das pedras que te lançassem… idiotice? Não… é apenas o fascinante do incondicional.

Wednesday, July 12, 2006



Sinto falta daquela pitada... daquele gosto intenso e indiscreto...
Sinto falta de um pó de malagueta nestes desenhares de sonhos =)
Sinto falta daquele abraço... cá te espero

Tuesday, July 04, 2006



Ela sussurrou-lhe ao ouvido… “sei o caminho até às estrelas…”
Ele soltou um sorriso duvidoso e perguntou… “ tens o mapa?”

" não… tu é que o tens. Defino-o nas linhas do teu olhar, porque julgas que me perco tanto neles?"

[confiou... e num suspiro caminharam até ás estrelas]




Friday, June 23, 2006



Porque não abrir a gaiola e deixar o pequeno fazer das suas?
[E assim novos aromas invadem os dias… aroma de stawberry cheesecake]

Monday, June 19, 2006

foi domingo.


estendo o meu olhar até sul: coordenadas salgadas... o sol sobre a pele...
(talvez não chova...)
já lá estou....(e nem parti.)
até já!
img.: carmen

Sunday, June 18, 2006

é domingo.


domingo:
convite à preguiça.
(amanhã, talvez rume a sul...)
img: monserrat

Thursday, June 15, 2006



As teclas da máquina de escrever eram combinadas impulsivamente enquanto a melodia do piano soava na sala ao lado. A vontade de gravar nas folhas brancas as memorias dos últimos tempos era arrebatadora… as folhas marcadas eram jogadas para trás para outras novas serem confidentes… Escrevia sobre quatro meses…quatro meses densos [tão densos]. Algumas lágrimas escorriam quando recordava que fora obrigada a acordar de um sonho que vivera… que ao acordar deparara-se com um vazio imenso… que perdera num sopro alguns que amava e que sempre a acompanharam… Mas não declamava com a velha máquina a tristeza que sentia mas sim como tentou viver intensamente os entretantos… como quis “enganar o desencanto”.
Sim… porque a felicidade está nestes mesmos entretantos, a felicidade está em poder escrever em folhas brancas sonhos passados e futuros, está em poder ouvir o piano da sala ao lado, de poder homenagear quem nos deixou, de poder partilhar sentimentos, de poder rir, criar laços, reescrever histórias antigas, de provocar gargalhadas, de receber beijos e abraços, de comer morangos, de fazer e desfazer malas, delinear viagens, partilhar melodias…
[quatro meses pesados…tão pesados, que ela sobrevoou sem nunca ter tocado com os pés no chão]

Esqueceu-se das lágrimas, esqueceu-se das folhas, saiu do quarto em direcção à sala do piano e dançou.

Wednesday, June 14, 2006

Another Whisper


(img.Tipika)
Escrevo
“é na simples troca de pensamentos que verdadeiramente nos tocamos”

Reescrevo
Melhor que a troca de pensamentos
È a troca de olhares…
É a troca de sorrisos…
Assim se diz o que não se risca neste quadro de sonhos…

[agora sei um pouco mais]

Monday, June 12, 2006

da minha varanda vejo o mundo girar...


"encontravam-na muitas vezes à janela..."

...recordava o tempo em que se empoleirava nos bicos dos pés para poder "ver o mundo lá fora"...

" e atenta, passva horas a fio a descortinar detalhes, a imaginar estórias..."

hoje, enquanto o meu mundo gira cá dentro, acalmo a (minha) trajectória espeitando "o lá fora", deliciando-me com o retalho de rio que sopra por entre as casas... derramando o olhar sobre o verde plantado sob o meu nariz...

da minha varanda vejo o mundo inteiro...

daquela outra varanda, mais a sul... onde o mar espalha esse odor a sal e riso... descortinava estrelas brilhantes, traçando na imaginação essas novas constelações de sonhos... murmurava tantas vezes pedidos a essas cadentes estrelas que passavam a fugir...

...ainda dessa outra varanda... atirava gargalhadas ao sol enquanto se deliciava a escolher os tesouros mais preciosos escondidos na caixa de botões da avó...

... e daqui. desta varanda de onde tantas vezes resolvo cantar o que aqui sinto... tanta coisa vejo, que me perco!...

desta varanda atiro conversas, escuto segredos... murmuro sentidos...

desta varanda sorrio ao saber desses detalhes... guardo cada um no meu album das cumplicidades... e anoto na minha caixinha de tesouros, como um dia, com esse marcador negro, anotei na parede esse crescer...

...e prossigo... observando, espreitando a teia que pacientemente se tece...envolvendo-me, porventura, nela.
[img.: elcafecito de natzan]

img: Michael Parkes (pormenor)
[Que significa afinal cruzarmo-nos com alguém pela primeira vez e não conseguir conter um sorriso?]
Intuição.
Ignorar?
Parei… Dei asas ao impulso
Desencadearam-se momentos, pensamentos, curiosidades.
Provocar um “não sei bem o quê”…
[nada melhor para combater o excesso de racionalidade]
Observo expectante… não para entender a situação… não a quero analisar…
Observo para me surpreender com o meu próximo impulso…
[não há nada mais surpreendente do que a surpresa de nós mesmos]
Mas na verdade o racional é demasiado forte e está á espera para ver quem tem razão…
ele ou a intuição…

[cá torço pela intuição… das melhores especiarias para condimentar a vida]

Friday, June 09, 2006

...arquitectando novos caminhos...






a menina coração de pimenta costumava arquitectar sonhos e deambular por esses mundos imaginários com esse misto de fascínio e ternura...

a menina coração de pimenta viu o tempo roubar os sonhos, o cansaço esmorecer os traços...

e parou.

...é tempo de conjugar de novo...e sob o meu querer!!!

é tempo de me redescobrir, pisar outros traços apenas alinhavados num qualquer papel...

é tempo de re-inventar... substituir os tijolos cansados, reforçar a estrutura...


é tempo de parar...

(...e hoje todos os dicionários do mundo gritarão que parar é sinónimo de recomeçar!!! e a menina coração de pimenta sorrirá, cumplice, ao mundo inteiro...)


aqui estou!: feliz por estar de novo ao comando e sabor da vontade e sonho, condimentando a vida com as pitadas mais saborosas... feliz por travar os ponteiros, gritar ao tempo que agora mando eu...
img.Tipika
Apenas porque sim...
Para quê rostos, corpos ou nomes…
se é na simples troca de pensamentos que verdadeiramente nos tocamos…
Porque por vezes o não assinar permite-nos ser tão... “mais nós".
Anonimato como uma capa transparente.


E a menina canela é o mais transparente de mim.
[Talvez um dia, sem nomes, me digam… conheço-te tão bem]

Monday, June 05, 2006


Psst… villain guy!
Can you stop being afraid of the boring prince and come to take me away?

Friday, June 02, 2006

(suspiro)



[I wanna wake up in a city, that doesnt sleep]

aqui partilho o momento em que pisei um dos mais mágicos pontos do globo. Coordenadas que me fizeram suspirar... sonhar... rir e que me continuam a chamar histericamente.

[... one day maybe...]
NY img. by Cinnamon

Wednesday, May 31, 2006

...soñamos despiertos...



essa cidade que nao existe para mais ninguem a não ser para mim, cidade-sentida, percorrida, intensamente vivida, (tanto tiempo soñada...)

essa "cidade-que-deixa-saudade", para onde (tantas vezes) apetece regressar...

...percorrer saborosas ruas, embrenhar-me nas modestas calles medievais... demorar-me, entre copas, nas mais variadas esplanadas...
...recordo todo o movimento e a azáfama da gente que chegava para dias mais tarde partir (desejando ter ficado), contrastando com a tranquilidade dos habitantes, descobertos discretos entre os turistas, nesses quarteirões que ainda percorro.

recordo o gesto cosmopolita que ganhava cada caminante, a sombra feliz das àrvores de um Passeig de Gracia onde nunca me cansei de passear...o abraço fresco de um pátio medieval nos dias em que na pele fervia o calor, as cores dos botões do museu têxtil, onde um têxtil-café me fazia as delicias de tantas tardes,... os chás quentes, frios e demorados que ali ganhavam un accento diferente...as cores e formas que teciam o alegre patchwork que habitava esses mercados, o sabor da fruta fresca pela manhã... as cores de gaudi ainda a inflamar o coração... o rubro feliz de uma cidade que nunca adormece e que se mantem sempre acesa aqui, em mim...


hay segundos que se hacen eternos...

(e sao tantos os detalhes que recordo, que me perco!... mais que esses preciosos e inúmeros retalhos que compoem as telas "vivas" que Gaudi pintou...)

img. pepper

Tuesday, May 30, 2006

freeeeesh


Se faz favor!
Era um sumo natural fresco, alguns cubos de gelo,
um gelado de morango,
uma piscina bem servida, um bikini, aliás… três bikinis e quatro calções de banho,
um mar (maré cheia sim…), férias,alguns festivais,
muitos amigos, gargalhadas,
esplanadas (mas fresquinhas se faz favor),
pode ser também bronze (com cheirinho de protector),mergulhos,
e…hum... por agora é só… não não…não é take-away é para consumir agora, obrigada!

Sunday, May 28, 2006

isso!




"... Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço... "


Álvaro de Campos

img. Tired Dancer, Degas

Friday, May 26, 2006

Wednesday, May 24, 2006

ecoando..


ecoa o refrão sobre a tarde de vento...
"pode alguém ser quem não é?..."
...pode.
"pode alguém ser quem não é?..."
...até quando?
"é duro no ventre ser de outro lugar"...
...é.
..." e ver desmoronar,
um a um, sonhos vãos...
duas mãos...
passando da alegria ao desamor..."
não é que faça sentido. agora.
mas fez.
img. tiinaKivinen

zoom out


quero pegar em mim, levar-me até à praia, sentir o calor, cansar (de outro modo) o corpo...
sentir que o tempo é livre!


quero férias!!!, .......tá?...
img. maureen cavanaugh

Tuesday, May 23, 2006

com um brilhozinho nos olhos...



adorar-te a cada dia, a cada gesto, a cada riso... mergulhar nos teus traços, cores e espaços...

"... um dia, subiu ao banco, soprou-lhe o pó e voltou a dar-lhe corda..."

bem vinda,primavera, à minha vida!

img. maureen cavanaugh


img. de getty images

[...assim até se engolem alguns]

Sunday, May 21, 2006

buongiorno


[De manhãzinha… a luz reflecte no soalho amarelo, o dia diz-me calmamente:
“já te esperava”…]

Descalça vou à cozinha inundada desta luz límpida que adoro… vou cambaleando de sono e a pisar as compridas calças do pijama [tenho mesmo de lhes fazer a bainha]
Meio implicante porque o leite não está fresco o suficiente para os cereais e mais ainda porque em pouco tempo vou para a faculdade… encosto-me à janela por entre os bambus dos estores a olhar para o “fora” trincando cereais secos.

Lá está o gato da vizinha, dorme agora, depois de perturbar a urbanização durante a noite.
Na outra varanda estão estendidas os mil pares de meias pretas do homem da casa… e só depois vem a minha varanda preferida, a do bonsai. Protegido pela sombra de uma prancha de surf, todas as manhãs é simpaticamente regado pelo vizinho surfista.
Ponho Jack Johnson a tocar e relembro o meu Verão e o meu mar. [Espreguiço-me com um sorriso gigante de quem sabe que falta pouco]

Acho que vou para a faculdade mais tarde... espero apenas que o leite fique fresco.

[tempo suficiente para o surfista acabar de cortar os ramos do bonsai ]